Iara
No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Pescadores de toda parte do Brasil, de água doce ou salgada, contam histórias de moços que cederam aos encantos da bela Iara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no leito das águas no fim da tarde. Surge sedutora à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.[1]
[editar]Poema de Olavo Bilac
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- Vive dentro de mim, como num rio,
- Uma linda mulher, esquiva e rara,
- Num borbulhar de argênteos flocos, Iara
- De cabeleira de ouro e corpo frio.
- Entre as ninféias a namoro e espio:
- E ela, do espelho móbil da onda clara,
- Com os verdes olhos úmidos me encara,
- E oferece-me o seio alvo e macio.
- Precipito-me, no ímpeto de esposo,
- Na desesperação da glória suma,
- Para a estreitar, louco de orgulho e gozo...
- Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
- E a mãe-d'água, exalando um ai piedoso,
- Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.
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